Lucro do Itaú
Com peso das provisões, lucro do Itaú soma R$ 18,536 bilhões em 2020
A diminuição no lucro derrubou a rentabilidade, de 23,7% em 2019 para 14,5% no ano passado. As provisões para perdas no crédito foram as principais responsáveis pelo lucro menor do Itaú no ano passado. No total, o chamado custo do crédito do banco avançou 66,4% em relação a 2019, mais de 30 bilhões para os cofres que não entraram na soma do lucro
Sob o peso de bilhões de reais em provisões para fazer frente a perdas com a crise do coronavírus, o Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 18,536 bilhões em 2020.
No quarto trimestre, o lucro do maior banco privado brasileiro atingiu R$ 5,388 bilhões, um recuo de 26,1% na comparação com o mesmo período de 2019. O resultado ficou pouco abaixo das expectativas do mercado de R$ 5,440 bilhões.
Vale lembrar tanto o resultado do quarto trimestre como o de 2020 não incluem o ganho de R$ 3,2 bilhões com a venda da participação 5% na XP Investimentos em uma oferta de ações realizada em dezembro, que o banco classificou como não-recorrente.
O resultado contábil — que inclui a receita com a XP mas também outros gastos como a doação de quase R$ 1 bilhão feita pelo banco para o tratamento da covid-19 — foi de R$ 7,592 bilhões no quarto trimestre e de R$ 18,909 bilhões em 2020.
“Fico satisfeito por constatar que fomos capazes de responder aos desafios extraordinários trazidos pela pandemia, sem comprometer nosso foco em satisfação de clientes, transformação digital e eficiência”, afirmou o presidente do Itaú, Candido Bracher, que deixará o cargo. Para o lugar dele, o banco escolheu Milton Maluhy.
Provisões e inadimplência
As provisões para perdas no crédito foram as principais responsáveis pelo lucro menor do Itaú no ano passado. No total, o chamado custo do crédito do banco avançou 66,4% em relação a 2019, para R$ 30,2 bilhões.
Mas apesar das provisões maiores, a inadimplência acima de 90 dias na carteira do Itaú ficou relativamente bem comportada e encerrou o ano em 2,3%, abaixo dos 3% do fim de 2019 e 0,1 ponto percentual acima do índice de setembro passado.
A expectativa é que o índice de calotes aumente neste ano, com o fim do período de carência dado pelos bancos para o pagamento das parcelas dos financiamentos durante a crise.
Crédito e spread
Ao contrário de crises anteriores, quando os bancos pisaram no freio do crédito, desta vez as instituições aproveitaram a demanda para avançar nos financiamentos.
O saldo da carteira de crédito do Itaú encerrou o ano em R$ 869,5 bilhões, o que representa um avanço de 20,3% em relação ao fim do ano passado e de 2,7% no trimestre.
O problema para o banco é que esse aumento no crédito se deu em um contexto de maior pressão sobre os spreads. A margem financeira, que inclui as receitas com a concessão de financiamentos menos os custos de captação, caiu 6,1% em 2020, para R$ 70,1 bilhões.
Tarifas e despesas com pessoal
A crise e a concorrência com as novas empresas de tecnologia financeira (fintechs) também colocaram pressão nas receitas com prestação de serviços e seguros do Itaú. Elas somaram R$ 43,3 bilhões em 2020, com queda de 1,3% em relação ao ano anterior.
O banco procurou compensar as receitas menores apertando o cinto. As despesas operacionais e com pessoal do Itaú registraram queda de 0,9% no ano passado, para R$ 50,1 bilhões.
Escrito por: Vinícius Pinheiro com edição da Comunicação do SEEB de Santos e Região
Fonte seudinheiro.com
Postado por Gustavo Mesquita em Notícias